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O PROBLEMA NÃO ESTÁ NA GENTE,ESTÁ EM QUEM FAZ ISSO.



Essa semana eu estava dentro de um ônibus lotado ao lado da cadeira preferencial e em seguida entrou um grupo de família com uma menina que aparentemente parecia ter uns 5 anos, a criança ficou ao lada da senhora que estava no banco e a mesma começou a conversar com a menina, de repente a menina colocou o seu braço ao lado do da senhora e falou eu sou negra e ela realmente era.
 A senhora que é   branca disse para a menina sua pele é linda, porém assustada com a fala da menina, perguntou para a mãe:
-  Você que disse isso para ela? E a mãe respondeu:
- Quando ela disse que era branca, eu corrigir e falei não, você é negra.
A senhora se dirigiu para o restante do grupo e disse: mas tem a mulata, a parda e a negra né?  Acho que ela é mulata.
Eu não pude me meter na conversa, embora tenha ficado muito incomodada e me negando a acreditar que aquela senhora tão simpática na qual dei lugar e me agradeceu tanto estava assustada com o ato de uma criança declarar tão naturalmente a cor da sua pele. Nesse mesmo dia antes de sair de casa, estava assistindo um programa que a convidada disse para o filho que é negro também e que usava dread e queria colocar brinco, das possibilidades de agressões e piadas que ele poderia ter por causa da sua aparência.
 Tudo isso que aconteceu tem me feito pensar o porquê ainda sentimos medos dos racistas e preconceituosos? Eu sei o quanto isso é desumano e doloroso e sei também que o mundo não é cor de rosa, por isso a preocupação daquela mãe e talvez o da senhora do ônibus, entretanto eu sei mais ainda que a nossa luta é contínua, que ela se perpetua durante tantos anos e  a partir disso  só vem mudando os personagens, ou seja o  racismo se manifesta silenciosamente porque as pessoas não querem se autodenominar preconceituosas, mas a luta principal é a interior, é bem mais do que assumir  o seu cabelo crespo, é manter e defender ele mesmo quando tudo e todos ao seu redor insistem  que você poderia fazer algo diferente.
Não é só participar de movimentos, debates onde retratamos tanto a importância de conquistar nossos espaços, é ir mais além e estar lá.
Tudo isso requer coragem e confiança para desafiar o sistema, talvez a mesma coragem que aquela criança teve e que casou uma baita surpresa, sim eu sou negra e isso não me faz ser menos, nem ser vítima, se calar, se esconder não faz com que o preconceito diminui, ou desapareça, ele vai continuar existindo, a questão é que eu não preciso mais ser refém dele, o problema não está na gente, está em quem faz isso!



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